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Não apenas mais um sandbox

Com apenas um simples relance de olhos é possível notar as semelhanças entre esse singelo jogo (que ao ser instalado pesa somente 15mb) e Minecraft, o hit indie que vem definindo o gênero sandbox. Tirando a grande diferença de Terraria ser em 2D, ambos se tratam de um jogo onde o personagem deve cavar para achar minérios e outros tipos de blocos para construir armas e ferramentas melhores, além de casas e outros utensílios decorativos. Entretanto a grande maioria das diferenças para por ai, e olhe que essas semelhanças são praticamente inerentes a jogos do gênero. Terraria foca muito mais na exploração e aventura do que seus compatriotas, que tentam focar na construção de gigantescas construções ou monumentais homenagens. Nesse jogo 2D com cara de jogo de plataforma, você pode explorar sozinho ou junto de amigos mundos criados aleatoriamente com dezenas de cavernas naturais, lençóis freáticos e até mesmo áreas especiais, como a “Corrupção” ou o “Sub-mundo” (no original “Corruption” e “Underworld” respectivamente).

Meteoros, mas nada de gosmas alienígenas :(


Logo ao iniciar um novo jogo é possível sentir a mistura entre RPG e Sandbox que Terraria traz à mesa. Antes de poder se juntar a um mundo qualquer, o jogador deve antes criar um personagem, podendo escolher tipo de cabelo e cor de suas roupas e pele, e dar-lhe o nome que achar apropriado. Esse personagem pode ser usado para entrar em qualquer mundo, seja um seu ou seja o de um amigo, o que nega as chances de ter que começar um jogo do zero toda vez que entra em um novo mundo, pois seu personagem traz consigo os itens. Após a criação do personagem e de um mundo aleatório, você é logo abordado por um NPC muito bem apelidado de “Guia”. Apesar de ser bem vago, ele dá dicas preciosas para quem está começando, como ser possível criar casas para atrair outros tipos de NPCs, como enfermeiras, mercantes e até mesmo dríades, cada qual com seu pré-requisito.

Após uma rapida checada no inventário descobrimos que já começamos com o básico necessário para iniciar uma aventura: uma espada para se defender, uma picareta para cavar, um machado para pegar madeira e um martelo para remover objetos. Apesar do começo ser um tanto frenético, já que os monstros aparecem famintos no momento que você se dá conta do que está acontecendo, ele possui uma curva de aprendizado muito boa para os novatos. Com menos de uma hora de jogo já é possível ter uma noção do que se deve fazer em cada situação. De dia podemos andar livremente, cavar sem problemas áreas mais rasas pois os monstros ainda são fracos e lentos. Porém, a primeira noite é aterrorizante! Sem aviso prévio zumbis e “Olhos demoníacos” flutuantes atacam o jogador que, se não tiver construído uma defesa básica (e por básica quero dizer uma porta fechada e paredes) o jogador pode se ver morrendo para a horda de zumbis e olhos que nunca param de aparecer. Entretanto morre não é realmente um problema, já que somente metade do dinheiro cai no chão e os itens são todos mantidos.

Mas o que realmente atrai no jogo não é somente a superfície, mas o que está dentro dela. Explorando é fácil achar várias cavernas que contém urnas, que podem ser quebradas para adquirir itens como bombas ou simplesmente vida para regenerar. Em casos raros é ainda possível encontrar baús que irão conter os cobiçados artefatos mágicos, cada um podendo dar uma habilidade diferente ao jogador. Entre os artefatos existe aquele que aumenta a velocidade, um que aumenta o tamanho do pulo, outro que permite um pulo duplo e ainda um outro que permite nadar na água! Essa grande variedade de itens que realmente valem a pena se arriscar aumenta a necessidade e recompensa da exploração. Além disso é possível encontrar corações petrificados ao longo das jornadas que, ao serem removidos com um martelo se tornam em um coração que podem ser consumidos pelo jogador para permanentemente aumentar sua vida.

Nada como um mergulho no inferno para esfriar a cabeça!

É claro que nem tudo é flores, pois quão mais fundo você vai, maiores as chances de cair em um buraco tão fundo que simplesmente a queda irá te matar, ou achar criaturas mais fortes e resistentes, como ocorre na maioria dos RPGs. Todo esse aumento de dificuldade faz duas coisas positivas: a primeira é que ela cria uma barreira natural, onde o jogador deve aprender e evoluir no jogo antes de avançar e acabar cansando de morrer e incentiva o jogo em times. Na primeira chance que tive convidei um amigo a se juntar ao meu mundo recém-criado. Eu ainda estava aprendendo a jogar quando meu amigo entrou e ele já estava um pouquinho mais forte, com uma armadura melhor e um gancho que o permitia ir a lugares mais remotos mais facilmente. Com a ajuda dele (e ele com a minha mais tarde) conseguimos chegar até o submundo, onde criamos uma casa para nos protegermos (e renascermos lá) e adquirimos uma grande quantidade de itens raros, dinheiro e minérios especiais. Poder ter essa experiência de explorar o subterrâneo, lutar contra chefões (“O Olho de Cthulhu”!) em mundo completamente seu é uma experiência quase única. Entretanto, ela pode ser estragada.

Meu amigo possuia um amigo, e este, ao invés de se juntar a nós resolveu entrar em outros servidores. Por causa da habilidade de um mesmo personagem poder levar itens para outro mundos, ele lá adquiriu uma grande quantidade de itens raros, que levariam horas e horas para que eu achasse eles, isso sem contar o perigo de se fazer isso. Quando ele finalmente entrou no meu server ele, com apenas algumas horas de jogo, estava mais poderoso do que eu achava ser possível. Ele sozinho conseguia matar a grande maioria das criaturas e quase derrotou o chefão sem minha ajuda (algo que tentei três vezes e falhei miseravelmente), além de passar um tempo explorando e possivelmente pegando itens que seriam mais úteis a mim do que ele. Essa habilidade de poder pular a dificuldade do jogo com certeza desanima o jogador, pois ele não sente o gosto de ter pego tudo aquilo com seu próprio suor, porém ele já tem tudo que é possível adquirir.

Explorando uma masmorra.

Porém, para compensar esse sentimento de “acabei, já fiz tudo, falou” que a maioria dos RPGs possui, eventos aleatórios podem acontecer, como a noite da “Lua Sangrenta”, onde o número de criaturas que aparecem à noite é muito maior, além dos zumbis adquirirem a habilidade de abrir portas, assim pondo em risco a vida de seus indefesos NPCs. Outro evento aleatório existente é o ataque de goblins, criaturas que aparecem somente nesse evento que ocorre durante o anoitecer. Apesar de raros, esses eventos adicionam toda uma nova camada de aventura. Além disso, atualizações são frequentes, sempre adicionando novos conteúdos para melhorar o jogo. Por exemplo, a última atualização não apenas adicionou novas criaturas (como o coelho, a primeira criatura passiva no jogo) mas também a habilidade de utilizar roupas no lugar das armaduras, mas sem perder os bônus, assim permitindo que jogadores fiquem bonitos e fortes ao mesmo tempo, além de abrir espaço para role players.

Devo dizer que Terraria é um grande exemplo de como ocorre o empréstimo de ideias na indústria do jogos, e como as pessoas deveriam ser mais receptivas a isso, ao invés de sair acusando os desenvolvedores. Terraria pega a ideia de criação de um mundo e mescla com o estilo de jogos como Castlevania e cria algo imersivo e divertido, que é o objetivo de todo bom jogo, não é a toa que Terraria, mesmo após 1 mês de lançamento, continua na lista dos mais vendidos na Steam, ganhando de grandes franquias como The Witcher 2, Portal 2 e Fable III. A equipe da Re-logic está de parabéns.

Informações Gerais:

Nome do Jogo: Terraria
Criado por: Re-logic
Publicado em: 16 de maio de 2011
Nossa Pontuação: 87/100

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